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Gabinete de Comunicação

Mensagem do Irmão Provincial, Tomás Briongos #MaristasEmCasa

Estamos isolados há mais de um mês e ainda não vemos uma luz ao fundo do túnel. Pode haver um sabor amargo em nós, pelas tantas pessoas que sabemos que passaram ou estão a passar por um mau bocado, porque gostaríamos de estar perto delas. À distância, sentimos que podemos fazer pouco, apenas uma chamada ou uma mensagem de apoio e solidariedade. E isso não é suficiente para aliviar a dor daqueles que perderam um membro da família e nem foram capazes de ficar ao seu lado ou dizer adeus.
Nesta realidade de amargura, a vida continua a palpitar e conta connosco para incentivar a esperança. Muitos estão a contribuir com as suas vozes para uma maravilhosa sinfonia e convidam-nos a nos juntarmos a eles.

Podemos também juntar-nos ao coro dos vários profissionais de saúde que cuidam dos doentes. Há momentos em que quem está connosco não fica com febre, mas manifesta outros sintomas provocados pelo isolamento. Há pessoas que passam por momentos de stress e tristeza ou ficam sem forças para aguentar mais. Eles não estão à espera de medicamentos mas são confortados pela nossa compreensão, a nossa proximidade e a escuta.

Acompanhemos quem faz com que a comida chegue aos supermercados. Colaboremos nas nossas casas para fazer compras e preparar refeições. E criemos momentos de conversa ao cozinhar, prolongando a tertúlia depois de comer. Se noutras circunstâncias nos levantamos da mesa rápido para realizar outras tarefas, nesta fase, cuidemos desses momentos para estarmos juntos e criarmos assim o nosso lar.

E que nos sintamos unidos a todos aqueles que trabalham para cuidar da segurança. Perante a ameaça do contágio, de ficar sem emprego e sem recursos financeiros, a nossa necessidade de segurança aumentou. Como podemos acolher os nossos medos? Como enfrentar essas situações, quando elas chegam, sem afundar? Podemos começar fazendo-nos ouvir e pondo em palavras o que nos está a acontecer; procurando momentos de alívio com outra pessoa, sabendo que falar das coisas não as resolve, mas permite-nos enfrentá-las com outras forças e com o apoio de outras pessoas.

A situação que estamos a enfrentar vai deixar-nos profundamente marcados. Pode haver feridas e sentimentos de derrota em nós, ou podem aparecer atitudes de superação, de empatia, de capacidade de criar laços com a nossa família, os nossos amigos e os nossos vizinhos e cultivar juntos sementes de crescimento pessoal, sementes de sociedade, sementes de comunidade.